Primeiras impressões de São Tomé

A marginal está cheia de casas coloniais. Mas há que ter atenção aos buracos.
enquanto se caminha. Perdi a conta às vezes que me ia estatelando...

Depois de seis horas de voo com partida em Lisboa, aterrei em São Tomé com uma hora e meia de atraso. Dormi durante quase toda a viagem (santo Xanax!). Consegui trocar as datas do voo para evitar uma greve geral mas esta troca de datas fez-me perder a oportunidade de apanhar o maior evento cultural da ilha que ocorre durante todo o mês de Novembro. Enfim, não se pode ter tudo. Assim que cheguei ao aeroporto tinha a minha amiga T. à minha espera para me ajudar a descarregar os quase 100 quilos de bagagem extra que levava para a Fundação da Criança: material escolar, roupa, doces, enfeites de Natal, comida e até um carrinho de bebé. Largadas as tralhas todas, fui dar uma volta com a C. que é minha cunhada e já viveu na ilha do Príncipe. Aliás, este regresso às origens foi o principal motivo da nossa viagem. Mas como vim a perceber mais tarde, qualquer motivo serve para vir a São Tomé e ao Príncipe.

O edifício que aloja a Fundação da Criança

Quando cheguei à cidade, o tempo estava cinzento e chuvoso. Mas estava quente e abafado e até sabia bem levar com pingos de chuva. A primeira impressão que tive logo foi a simpatia do povo e o atrevimento dos machos. Foi só aterrar na ilha para começar a ouvir piropos a torto e a direito. Parece que é normal e que vale para tudo o que mexe. Mas gostei destas versões afro de piropos. Eram bastante "soft", sem ponta de ordinarice. Nunca me senti constrangida com as deixas que fui ouvindo e senti-me sempre segura em todos os lugares a que fui.  Pode-se andar na rua a qualquer hora do dia ou da noite que a probabilidade de termos algum azar é mínima. Faz sentido, a ilha é demasiado pequena para que a criminalidade seja elevada. Enquanto estive na ilha, soube de um assalto à loja de artesanato mais gira que visitei - a Mamã África - e poucos dias depois já se sabia quem tinha sido o assaltante. Ouvem-se também algumas histórias de assaltos nas praias de pessoal que aparece de catana. Por isso mesmo, e também para poupar tempo precioso, para passear fora da cidade, convém andar com um guia.





Capacete é coisa rara de se ver...

Ao fim de uma hora e meia de passeio o centro estava praticamente visto e já tinha ouvido uma série de piropos. E ainda não eram 9 da manhã...Os homens são muito atrevidos, metem-se com as brancas por tudo e por nada (sim, parece que é um fetiche...), apresentam-se e espetam-nos com beijos sem dar tempo para reagir, mas até achei piada às abordagens deles porque são quase inocentes. Enquanto em Portugal podemos ouvir coisas de fazer corar as pedras da calçada, os piropos que ouvi davam-me vontade de rir. Às tantas até nos começámos a habituar e se passava muito tempo sem ouvir nenhum, já comentávamos que se passava algo de estranho. Mas ao final do terceiro dia, já estávamos familiarizadas com o fenómeno.

Os miúdos, ao contrário da maior parte dos adultos,adoram ser
fotografados. "Mostra! Mostra! Mostra!". E dá vontade de agarrar
nalguns e trazê-los connosco para casa.